quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poema de Sophia de Mello Breyner



Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos

Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga

            Do livro O Nome das Coisas 

Liberdade, onde estás? Quem te demora?





                         Liberdade, onde estás? Quem te demora?

                         Quem faz que o teu influxo em nós não caia?

                         Porque (triste de mim!) porque não raia

                        Já na esfera de Lísia a tua aurora?


                        Da santa redenção é vinda a hora

                        A esta parte do mundo que desmaia.

                        Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia
                        Despotismo feroz, que nos devora!


                       Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,

                       Oculta o pátrio amor, torce a vontade,

                       E em fingir, por temor, empenha estudo.


                      Movam nossos grilhões tua piedade;

                      Nosso númen tu és, e glória, e tudo,

                      Mãe do génio e prazer, oh Liberdade

                                          M. M. Barbosa du Bocage

terça-feira, 24 de abril de 2012

Museu Pedagógico da Universidade de Huelva





Visitámos recentemente o Museu Pedagógico da Universidade de Huelva, inaugurado há cerca de um ano, sob a orientação do Prof. Manuel Reys, seu fundador e director.
Este museu define-se “como uma homenagem a todas as pessoas que viveram para a educação”.
Trata-se de um espaço cheio de memórias e com grande valor simbólico para nós, que fomos alunos e também já professores em cenários muito semelhantes, usando materiais também muito semelhantes (alguns foram mesmo adquiridos em Portugal).

A exposição permanente do museu está dividida em três secções:
A primeira é dedicada aos recursos educativos, materiais escolares (pessoais e colectivos) e até elementos que se referem a prémios e castigos.
A segunda secção integra a recriação de três cenários:
           -   a “Escuela de Amigas” – versão antiga dos jardins de infância em meio rural;



           -   o ambiente de trabalho dos professores “cortijeros”, assim denominados na Andaluzia os que, não sendo professores, iam passando pelas aldeias, onde ensinavam a ler a quem os procurava, a troco de qualquer coisa, habitualmente comida;
           -   uma sala de aula (institucional), como existiu em quase todo o século passado.


A terceira secção é dedicada aos manuais escolares, onde se apresenta uma visão cronológica dos mesmos (desde 1776 até 1975)  e também uma visão dos diversos  tipos e até da ideologia subjacente à elaboração dos mesmos.



O museu está integrado no edifício da  Faculdade de Ciências da Educação, no Campus El Cármen e está aberto ao público em geral, de 2ª a 5ª : 10 h– 13 h  e 16 h -19 h. À 6ª apenas de manhã.


Texto: MV
Fotos: MG
                        

domingo, 22 de abril de 2012

Passeio à Província de Huelva



Em março, realizou-se mais uma visita no âmbito do projeto transfronteiriço desenvolvido na zona do Baixo Guadiana Algarvio e da Província de Huelva. 
Huelva foi o ponto de encontro com o professor Dr josé Juan de Paz que, uma vez mais, se disponibilizou para estabelecer o programa e ser nosso guia.
Depois de uma visita ao Museu Pedagógico da Universidade de Huelva (de que daremos notícia mais pormenorizada noutro sítio), seguimos para Niebla, situada junto ao rio Tinto, a 32 km daquela cidade. Durante o trajeto, o Professor fez uma abordagem ao património histórico-artístico do Condado de Huelva.




Niebla é muito rica em monumentos de interesse histórico e nós visitámos alguns deles, sempre acompanhados pelas preciosas explicações do professor José Juan que, situando-nos na época, nos permitia “ver” vivências há muito desaparecidas.

 Vila medieval de Niebla 

  
 Falar da história desta vila é como comentar a história de toda a província de Huelva. Ainda antes de esta estar formada, em 1833, durante o reinado de Ibn Mahfuz, uniu-se na mesma “taifa” de Labia – Niebla – tudo o que hoje é parte da província de Huelva e até mesmo do Algarve, em Portugal. 
A sua localização geográfica permitiu tempos de esplendor na Ilipla Romana.A ponte sobre o Rio Tinto e números vestígios que foram descobertos ao longo de várias escavações arqueológicas evidenciaram este indício. 
Alguns exemplos são exibidos no Museu do antigo Hospital de Nossa Senhora dos Anjos, um edifício do séc. XVI e convertido hoje em Casa da Cultura. 

  

Texto: HGC
Fotos: Município de Huelva
           MV

Visita a Niebla II



Entrámos no recinto amuralhado pela porta do Socorro, junto à igreja de San Martin Deste templo pouco resta, visto o corpo da igreja ter sido derrubado em 1921, para satisfazer necessidades urbanísticas.               



Seguimos em direção ao Alcazar de los Guzmán, onde a Alcaide de Niebla teve a amabilidade de nos vir dar as boas vindas.
Este alcácer, que é talvez a obra mais importante dentro do género na Andaluzia, foi construído no sec. XV por Don Enrique de Guzmán, segundo Duque de Medina Sidonia e quarto Conde de Niebla. O terramoto de Lisboa de 1755 e, mais tarde, a ocupação francesa em 1812, afetaram gravemente o castelo que, apesar disso, pode
                                                      considerar-se em bom estado de conservação.




A visita terminou com a igreja de Nª Sª de la Granada e o hospital de Nª Sª de los Ángeles.
Já de saída da cidade, vimos a Ponte Romana, sobre o rio Tinto, e rumámos a El Rocio.


Texto: HGC
Fotos: MV




                                                                                       Foto: P Nogales


El Rocio é uma pequena aldeia situada a 15 Km de Matalascañas, na borda do Parque Nacional de Doñana. É uma povoação de pequenas casas brancas (casas, cujo arrendamento pelos cinco dias da romaria vale entre os 8 e os 12 mil euros!), com muita tradição, que rodeia a Ermida da Virgem del Rocio, onde mora a “Blanca Paloma”, nome que é dado a esta virgem.

Em todos os lugares públicos de El Rocio, existe, obrigatoriamente, uma imagem da Virgem.
As ruas e o largo da Ermida não são asfaltadas, são de terra, para facilitar a movimentação dos cavalos e respetivas carroças. É um lugar especial que merece uma visita.







“ Durante a Romería del Rocío, mais de um milhão de pessoas vêm até este lugar para venerar a Virgem, dando a esta aldeia um colorido espectacular. Segundo reza a lenda, esta Virgem apareceu neste local no século XIII”.

   
Texto:  HGC
Fotos:  MG ( passeio organizado pela ASSP em 2007)

Parque Nacional Donana




Para terminar a visita à zona sul da província de Huelva, dirigimo-nos para o Palácio del Acebrón, localizado na zona de proteção do Parque Nacional de Donãna.
No centro de visitantes La Rocina, fomos recebidos pela Dra. Amélia Castaño, especialista do parque, que orientou a visita ao Palácio del Acebrón (foto). O Palácio de Acebrón, com a sua exposição sobre os usos e técnicas tradicionais  em Doñana, está localizado na Área Protegida Arroyo de La Rocina, cerca de 7 km a noroeste do centro de visitantes A Rocina.
Este edifício foi construído por Luis Espinosa Fondevilla no início dos anos 60 como uma residência privada e de caça em estilo neo-renascentista e vale uma visita, por si só, juntamente com a  envolvente paisagística que se pode admirar no terraço de cobertura. 
É certamente um dos lugares a que não se pode faltar numa visita a Doñana!




História e curiosidades
Após a expulsão dos árabes no século XIII, o Rei Afonso X inicia a cristianização do território e a construção das primeiras ermidas. É durante o século XV, com a organização do território pelo domínio senhorial, que começam os primeiros limites e coutos (privados), assim como a interdição de actividades que prejudiquem a caça na região. O nome hoje conhecido de Donãna deve-se à construção por parte do sétimo duque Medina-Sidonia de um palácio para a sua esposa, Dona Ana Gómes de Mendoza e Silva, no interior do monte. Com o tempo, estas terras, bastante ricas em caça, começam a ser conhecidas como o bosque de Doña Ana, o couto de Doña Ana, etc., até ao nome actual Doñana. O interesse científico e natural pela região de Doñana tem início durante o século XIX e durante o XX são introduzidas espécies animais, plantam-se pinheiros e organizam-se montarias de caça de forma sistemática. Em 1940 é constituída a Sociedade Cinegética del Coto del Palácio de Doñana. A riqueza faunística das terras de Doñana começa a atrair cada vez mais ornitólogos de vários cantos do mundo, que lançam a proposta de internacionalizar esta enorme propriedade. É o começo de uma consciência conservacionista a nível internacional que vai levar à aquisição, em 1963, de cerca de sete mil hectares por parte do Estado espanhol, juntamente com o World Wildlife Fund (WWF). Estava dado o primeiro passo para a criação da Reserva Biológica de Doñana, que seis anos depois se transforma em parque nacional. Hoje, com várias figuras internacionais de protecção (Reserva da Biosfera, Património da Humanidade, etc.), o Parque Nacional de Doñana é uma referência a nível internacional, que se traduz nos largos milhares de visitantes que anualmente acolhe. 


Nota gastronómica: no restaurante Toruño serviram uma "mostrenca a la brasa", que é uma especialidade local. A mostrenca é uma raça de gado autóctone de Donana.


Texto: HGC
Fotos:  MV