quinta-feira, 22 de março de 2012

No Dia da Árvore, um soneto de Camões


Árvore, cujo pomo, belo e brando,

natureza de leite e sangue pinta,

onde a pureza, de vergonha tinta,

está virgíneas faces imitando;



nunca da ira e do vento, que arrancando

os troncos vão, o teu injúria sinta;

nem por malícia de ar te seja extinta

a cor, que está teu fruito debuxando.



Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo

a meu contentamento, e favoreces

com teu suave cheiro minha glória,


se não te celebrar como mereces,

cantando-te, sequer farei contigo
doce,
nos casos tristes, a memória.

Velhas Árvores, de Olavo Bilac



Estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas:

Tanto mais belas quanto mais antigas, 

Vencedoras da idade e das procelas... 


O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas; 

E em seus galhos abrigam-se as cantigas 

E os amores das aves tagarelas. 



Não choremos, amigo, a mocidade! 

Envelheçamos rindo! envelheçamos 

Como as árvores fortes envelhecem: 



Na glória da alegria e da bondade, 

Agasalhando os pássaros nos ramos, 

Dando sombra e consolo aos que padecem!

Ainda o Dia Internacional da Poesia


Uma nota só, para chamar a atenção para a caixa de comentários da nossa mensagem de ontem, a propósito do Dia Internacional da Poesia.
Trata-se de um poema que Ramos Rosa dedicou a José Afonso e é indispensável ler.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Internacional da Poesia

A poesia nasceu ligada à música e a sua função primordial era perpetuar na memória coletiva os factos relevantes e os valores que organizavam a vida de uma comunidade.
Decorridos vinte e cinco anos sobre a morte de José Afonso, prestamos aqui uma homenagem ao poeta que, como nos tempos iniciais, ligou a palavra à música, deixando gravados na nossa memória os valores que nortearam a sua vida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Canto em Periplus

Amélia Muge em Faro

Amélia Muge e Michales Loukovicas estiveram ontem na Biblioteca Municipal de Faro, para nos falarem do(s) caminho(s) que percorreram até à apresentação do novo álbum Periplus.
Contaram histórias de encontros e de descobertas e mostraram como a "viagem", o distanciamento no tempo e no espaço, nos pode conduzir ao que há de mais genuíno e transversal na tradição musical do mundo. E como isso tem pouco a ver com fronteiras e nacionalismos.
O resultado é um pouco de muitas coisas, desde a canção de embalar até às pragas algarvias.
Periplus é um trabalho todo feito de memórias, afetos e poesia, como se pode ler nestes versos que o integram:

Este canto
Tem a rota dos perfumes
Da pedra pão, dos metais
Do ouro e prata, dos sais

Tem dos deuses os segredos
Tem minotauros de medos
E tem a idade do Egeu

Tem um naufrágio de estrelas
Tem prantos de vida e morte
É de todos e é só teu


Texto: MV

quarta-feira, 14 de março de 2012

Akira Yoshizawa: 101 anos

Foto de Robin Macey (New York Times)

Akira Yoshizawa, grande mestre japonês de origâmi (dobragem de papel para obter animais, flores…), nasceu em Kaminokawa (Japão), no dia 14 de março de 1911. É considerado o pai do origâmi moderno, pelo recurso ao papel humedecido (técnica “wet folding”), que, ao permitir criar formas mais volumosas e curvilíneas, impulsionou a criação artística e deu um importante contributo para a dobragem de papel ascender à categoria de arte. Morreu em 2005, tendo legado ao mundo cerca de 50 mil modelos.

O próprio Akira Yoshizawa executa um cisne, em:

http://www.youtube.com/watch?v=58GdBN4NWz8&feature=player_embedded Yoshizawa