quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Oficina do Olhar, na Casa do Professor

Vivemos num mundo de imagens.
Na rua, em casa, em todo o lado, elas interpelam-nos, agridem-nos, emocionam-nos, tranquilizam-nos.
Permanentes ou fugazes, o que revelam ou escondem elas?

Nós próprios as produzimos...

Como as sentimos, apreciamos, lemos?

Se quiser participar numa conversa descontraída sobre este tema, apareça, no dia 20, às 15h, na Casa do Professor.
Animador: Miguel Vilhena


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quem tem medo do lobo mau?


"Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" foi a peça a que tivemos o privilégio de assistir, no passado dia 29 de janeiro, o último espetáculo sob a responsabilidade de Diogo Infante, entretanto substituído na direção do Teatro Nacional D. Maria II.
Representada de novo em Portugal, a conhecida obra do norte- -americano Edward Albee teve encenação de Ana Luísa Guimarães e contou com a excelente interpretação de Maria João Luís (Martha), Romeu Costa (Nick), Sandra Faleiro (Honey) e Virgílio Castelo (George).
Ainda antes do contacto visual, o espetador é confrontado com as vozes alteradas de Martha e George, um casal de meia-idade que regressa ao seu lar, alcoolizado e já alta noite, depois de uma festa em casa do pai de Martha, reitor da universidade local. Aliás, a crueza da linguagem é o primeiro desestabilizador psicológico a que o espetador tem acesso.
Entremos, com eles, na sala. Aí tudo se revela. As personagens vão-se desnudando e expondo as feridas da alma à medida que se descobre a frustração e a mentira que paira sobre as suas vidas conjugais. Como diz Albee “O inferno pode ser uma sala-de-estar confortável e um casal insatisfeito”.
No meio de uma acesa discussão, George, professor universitário do departamento de História, acaba de saber que ainda terão visitas: Honey e Nick, um jovem e feliz casal recém-chegado, que Martha conhecera na festa, e também ele professor da mesma universidade, da cadeira de Biologia.
Regressemos à sala onde, surpreendido perante o fulgor da discussão dos anfitriões, acaba de entrar o jovem casal. Na representação da sua perfeita conjugalidade, atónitos, desconcertados e hesitantes, Honey e Nick aceitam ficar, ainda na expetativa de um convívio convencional.
Porém, o álcool continuará a etilizar todas as personagens dessa noitada e Honey e Nick, inicialmente tão deslocados, participam no jogo depressivo e autodestrutivo do casal anfitrião. Provavelmente, as habituais discussões de Martha e George deixaram de ser libertadoras, pelo que precisam da presença de incautos espetadores para os seus confrontos verbais, para a libertação das tensões latentes, para a verbalização de traumas, frustrações, raivas e angústias.
E os visitantes indefesos assistem a um inesperado e intenso combate emocional, repleto de agressões mútuas e perigosos jogos de revelações e de ilusões perdidas. Aliás, George, ao aludir a algumas das mentiras de Nick, arrasta-o também para esse jogo perverso, sem vencedores. A pouco e pouco, sob o efeito crescente de uma pesada tensão, também os seus segredos mais íntimos são revelados e as máscaras bem afiveladas do jovem casal vão sendo desfeitas. Depois desta noite nada mais permanecerá igual. As fraquezas são postas a nu: a desequilibrada e transgressora Martha humilha o marido por este não conseguir assegurar o cargo de reitor; George, que apenas deseja a cátedra de História, sofre por amor à mulher, desesperado com as suas loucuras e a ilusão de uma gravidez concretizada há 23 anos; Honey e Nick, encarnando o mito do casal perfeito, desfazem-no ao conhecer-se a pressão e repressão constantes que o marido exerce sobre a mulher, fazendo-a abdicar da sua auto-estima e liberdade.
Todas as personagens são obrigadas a reverem-se…
Ao longo de quase três horas de intensa representação, o espetador sente-se no centro de uma competição: esgrimem-se argumentos e defendem-se transgressões, numa teia de sombrios e assimétricos jogos, especialmente verbais: e se, num primeiro momento, Martha aparenta sair vencedora, ao humilhar profunda e publicamente o marido, no final da peça, é George quem conduz o jogo e quebra o vidro da ilusão, atrás do qual Martha, se escondia, obrigando-a a ver claro e a enfrentar, sem medo, os seus traumas e temores.. “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, de Virginia Woolf?, de Virginia Woolf?… ”.

MJR

sábado, 4 de fevereiro de 2012


No passado Domingo, fomos ao teatro.

Constatamos, com satisfação, que temos muita gente interessada neste tipo de espectáculos.

A peça, magnífica - Quem Tem Medo de Virgínia Wolf ?, de Edward Albee - acho que não desiludiu ninguém.

O trabalho dos actores também não.


Esperamos poder publicar aqui em breve algumas impressões que nos queiram enviar sobre esta peça.


1. Quem tem medo de encarar as suas desilusões?

Num primeiro impulso, fiquei com vontade de rever a versão cinematográfica de Mike Nichols (1966). Pensando melhor, resolvi não o fazer, pelo menos para já e resolvi centrar-me mais no texto, que me pareceu bastante mais compreensível do que há muitos anos atrás: abençoada idade!

Mesmo assim, havia muitas perguntas por responder: o autor, o título, as influências, as reacções à peça na altura em que estreou na Brodway (1962)... Abençoada net! Há uma quantidade de informação, com o único senão de ser quase toda em inglês e dar uma certa “trabalhera”.

Como sempre, as leituras possíveis da obra são múltiplas.

Entre outras curiosidades, o facto de os nomes das personagens (George e Martha) coincidirem com os nomes do casal inaugural da democracia americana ( G. e M. Washington). E como acontece nas relações interpessoais, também a história americana passou por uma revolução.

Tal como Martha assume no final da peça, também a América terá medo de enfrentar as suas desilusões?

E poderemos nós viver sem os mitos que criámos, sem as nossas ilusões?

Apetece responder: “Poder, podíamos, mas não era a mesma coisa!”

MV


Abaixo, a ligação para um trabalho engraçado dos alunos da Escola E.B. 2/3 de Monchique.

No conjunto, o resultado é hilariante.

Não fora o dramático da situação do Titanic ter-se repetido há tão pouco tempo...

http://sorisomail.com/videos-comicos/174110.html

Dos Clubes



Conto de Reis... Alternativo

No passado dia nove de Janeiro, o Clube de Leitura iniciou o “segundo período” dos seus trabalhos depois das festas Natalícias.

Como era de esperar, porque ainda andavam no ar os aromas da época festiva, toda a sessão foi dedicada aos Reis e às Janeiras que no Algarve, muito especialmente no Sotavento, têm o nome de Charolas.

Principiámos com um breve trecho sobre a origem dos Reis, Magos, para sermos precisos.

Seguiu-se uma pequena peça “Conto de Reis... Alternativo que ilustramos. Foi um momento bem divertido que a todos agradou.

Terminámos com cânticos das Janeiras, não só do Algarve mas de outros lugares do nosso país.